Sou mãe e adolescente

Uma mãe adolescente, que conhecemos no Hospital Geral do Grajaú, nos contou sobre sua história e experiência de ser mãe aos 16 anos. Confira a seguir:
Quando eu descobri a gravidez fiquei surpresa, eu não esperava. Não tive nenhum sintoma, só um pouco de enjoo, mas que não durou muito. Minha menstruação costumava atrasar, por isso não desconfiei de nada. Depois de algum tempo minha barriga começou a aparecer e minha família começou a suspeitar que eu pudesse estar grávida, mas não me perguntaram nada.
Tive uma consulta com um médico clínico geral, como eu sou adolescente precisava ter um acompanhante. Durante a consulta minha vó falo pediu ao médico que solicitasse um exame de gravidez. O médico me perguntou se eu topava fazer  e eu disse que não tinha problema. Voltei para casa para buscar meu RG, pois tinha esquecido em casa. Eu estava tranquila, porque não achava que estava grávida.
Voltei sozinha para a UBS e a médica colheu a urina para fazer o teste, aguardei. Depois de um tempo ela me chamou e deu a notícia de que eu estava grávida. Foi aí que eu me desesperei, pois eu não queria ser mãe tão cedo. Ao mesmo tempo também fiquei chateada, pois eu não queria ser mãe, mas eu não tinha coragem de abortar e nem de dar o meu filho.
Quando cheguei em casa eu contei para minha vó que o teste tinha dado positivo e que eu estava grávida, comecei a chorar. Toda minha família logo ficou sabendo e começaram a resmungar e reclamar. Mas a pior parte foi contar para o meu pai, eu estava junto, minha vó foi quem contou para ele por telefone. Ele disse que assim que saísse do trabalho passaria lá em casa. Eu estava sem coragem de falar e olhar para ele. Ele chegou muito nervoso, falando um monte e eu fiquei sem chão…
Passei um tempo sem conseguir falar com meu pai e com as outras pessoas, mas com o tempo as pessoas foram aceitando, me dando apoio, perguntando sobre a bebê e as coisas foram melhorando.
Quando eu descobri que era uma menina todo mundo ficou contente, minha madrasta quis fazer o chá de bebê, marcamos a data, mas faltando uma semana para o chá de bebê ela nasceu.
Tive uns problemas durante a gravidez, a placenta estava baixa, a barriga não estava crescendo e eu não estava ganhando peso, além disso, tive pressão alta, a bebê mexia pouco. A médica pediu que eu fizesse o controle da pressão medindo duas vezes por dia, tinha marcado o pré-natal para uma segunda-feira, mas a médica estranhou, porque a pressão ainda estava muito alta. Então ela disse que eu precisava ser transferida para a maternidade e fazer uma ultrassom para ver se estava tudo bem com a bebê.  Vim para o Hospital Grajaú, fiz a ultrassom, e a médica falou que precisava fazer uma cesariana de emergência, porque a placenta e o cordão umbilical tinham secado. No hospital suspeitaram que meu pai não sabia da minha gravidez, tive que esperar minha tia chegar para acompanhar o parto. Apesar do susto o parto foi tranquilo.
É a primeira neta do pai e ele esta babando. Ele e a minha vó  me ajudam bastante.
Minha filha está na incubadora para ganhar peso, meu pai não vê a hora da minha bebê sair do hospital.
 Tive que deixar a escola, porque no início da gravidez minha família pediu que eu parasse de estudar. Só Deus sabe quando vou voltar a estudar agora, vou ter que esperar ela crescer.
Agradecemos esta jovem por compartilhar sua experiência conosco. Desejamos que ela consiga retomar seus estudos em breve, pois é muito importante para a mãe conseguir manter suas atividades e, sobretudo, não deixar suas metas e sonhos suspensos por muito tempo. Neste sentido o apoio da família e escola é fundamental para que as jovens mães consigam viver essa experiência da melhor maneira possível.