Ser pai é uma dádiva de Deus!

O Michel está com sua filha Micaelle internada na UTI neo natal do HGG. Conversamos com ele sobre a situação e os desafios que está enfrentando. Confira a seguir seu depoimento:

Michel Aparecido Cardoso

“Eu não queria muito ter um filho agora, pois a primeira gravidez da minha esposa foi complicada. Perdemos o primeiro bebê, conseguimos ter o segundo, ele já está com seis anos. Mas foi um pouco complicado também, porque ele nasceu de sete meses, isso ocorre por causa dos nossos tipos sanguíneos, o sangue dela não é compatível com o meu.

A princípio eu não queria, mas nós conversamos bastante e entramos em um consenso, teríamos mais um filho, porque um só é pouco. Assim veio a Micaelle. Ela nasceu de oito meses e por isso está internada aqui na UTI, já vai fazer um mês. Ela está bem, não tem problema nenhum, está saudável, mas continua aqui para ganhar peso. Ela nasceu muito pequenininha com 31 cm e 1,110 Kg. Com a minha esposa também correu tudo bem, o único problema é que com a bebê aqui ela não teve resguardo.

Quando minha esposa estava grávida a médica disse que a bebê não estava crescendo, porque minha esposa é fumante. Ficamos com isso na cabeça. Fomos para Santo Amaro fazer uma ultrassom e o médico disse que tínhamos que voltar para o hospital com urgência, pois se voltássemos dali dois dias a bebê poderia morrer. Voltamos para o HGG e a médica disse que ia dar um remédio para amadurecer os pulmões da bebê, pois ela ainda estava muito fraquinha. Deram a medicação e teve uma troca de plantão, a outra médica viu que não dava para esperar, tinha que fazer o parto urgente. Aí fizeram o parto cesária. Eu não assisti o parto, minha sogra que acompanhou minha esposa. Sabe como é, né? Ela é a mãe e queria ver.

Hoje a Micaelle veio para o berçário, já engordou um pouquinho. A gente fica preocupado, mas sabe que aqui ela está sendo bem cuidada, todos cuidam dela super bem, tanto as enfermeiras quanto os médicos.

Para mim ser pai é uma dádiva de Deus. Eu estou aqui há um mês e já vi uns três bebês que os pais abandonaram. Eu não consigo nem imaginar deixar minha filha aqui abandonada. É uma coisinha tão frágil, que depende da gente, eles não têm defesa nenhuma. Eles  vêm ao mundo e precisam da gente por muito tempo. Até crescerem e formarem a vida eles vão depender da gente. Eu até abandonei meu emprego, porque tem emprego para trabalhar, mas não vou trabalhar agora, eles precisam de mim, tanto a minha filha como minha esposa, elas precisam de um cuidado a mais.”