Vício em Redes Sociais: 10 sinais de que se está passando dos limites

Falar em vício em redes sociais e em tecnologia, para alguns, pode parecer um exagero. Afinal, quem hoje não está on-line boa parte do dia, trabalhando, conversando com amigos e familiares, lendo as últimas notícias, jogando, ouvindo música ou assistindo filmes?

A internet tem mudado os hábitos, as formas de comunicação e a maneira de se relacionar das pessoas de todas as classes sociais. Segundo a Anatel o Brasil terminou janeiro de 2018 com 236,2 milhões de linhas de celulares ativas, o que significa que o país já tem mais de 1 aparelho celular por habitante.

É justamente este acesso fácil à tecnologia que tem levado muitas pessoas a um comportamento difícil de controlar: o vício em redes sociais e tecnologia, especialmente entre aqueles que já nasceram em meio a esta realidade, na qual estar desconectado é a exceção, não a regra.

Este recém-descoberto problema foi batizado de IAD (Internet Addiction Disorder), ou Distúrbio do Vício em Internet, que é a dependência em tecnologia. Embora seja comportamental, é uma condição que, para algumas pessoas, causa a mesma sensação de necessidade, fissura e abstinência que a dependência química.

 

Nomofobia. O que é?

Nomofobia (do inglês “no mobile fobia“) é o medo irracional de estar sem o aparelho celular (ou de ficar sem conexão à internet). É a “dependência digital”, uma condição que gera forte angústia e que tem consequências psíquicas, sociais e até físicas. Pode ser considerada uma perturbação mental dos tempos modernos. Este medo de ficar sem o celular pode estar relacionado a outros transtornos, como o de ansiedade, pânico, obsessão compulsiva e fobia social.

Entre os sintomas mais comuns do vício em redes sociais e tecnologia estão a ansiedade e o mal-estar de perder o telefone, ficar sem bateria ou de precisar estar em alguma área sem cobertura de internet ou Wi-Fi. Alguns chegam a manifestar sintomas de ataque de pânico, como tremores, tontura, falta de ar e aceleração do batimento cardíaco. É um quadro muito semelhante até mesmo à abstinência em um dependente químico.

 

Então a Internet é uma vilã?

O problema não é a internet, nem os games, nem os aparelhos. Segundo ela, o problema não está no uso em si, mas no abuso, no excesso.

O uso da internet tem uma dualidade: se de um lado ela aproxima as pessoas que estão mais distantes, de outro pode criar um distanciamento onde não havia. Parece que algumas pessoas foram “engolidas” pela virtualidade, chegando ao ponto de não conseguirem mais se aproximar de outras pessoas. Olhar nos olhos, ou até mesmo de falar com espontaneidade em ambientes sociais, tornou-se um desafio tão grande, que alguns simplesmente evitam o contato social.

Embora a sociedade tenha acolhido os avanços tecnológicos e seus inegáveis benefícios, cada vez mais vemos os jovens em frente à tela de um computador ou de um aparelho celular, fechados por horas seguidas em seus quartos, com dificuldade em se socializar. Nesta fase da vida, alguns não conseguem controlar seus impulsos, por isso exageram e podem apresentar sintomas de depressão muito precocemente.

 

Alerta máximo

Os pais andam preocupados com os riscos a que seus filhos estão expostos no mundo on-line. Então, segurem-se: os perigos são relevantes! Com a internet, aumentaram as violações contra os direitos infanto-juvenis. Conteúdos impróprios contendo violência, racismo, ideais extremistas e pornografia são muito acessíveis.

E, para piorar, também é fácil estabelecer contato com pessoas perigosas, que fingem ser outras pessoas, ou até mesmo colegas mal-intencionados. Os abusadores, ou aliciadores sexuais, normalmente têm acesso ao perfil dos jovens e se passam por “amigos” para, então, convidá-los para um “jogo sexual”.

“Os jovens hoje desfrutam de um grau de privacidade nunca vivido por seus pais. Eles conseguem falar de forma absolutamente privada com quem queiram, no momento em que desejem, sem deixar qualquer rastro facilmente identificável. Torna-se muito difícil conseguir acompanhar de perto os passos desses jovens na internet”, lembra Liza Wajsbrot, psicóloga do portal Nossos Doutores.

Pesquisa da TIC Kids Online, divulgada no final de 2017, revela que 1 em cada 10 adolescentes entre 11 e 17 anos já teve contato com conteúdos sobre formas para cometer o suicídio e usar drogas; 13% dizem já ter acessado conteúdo sobre maneiras de machucar o próprio corpo e 20% pesquisaram como poderiam fazer para ficarem muito magros. Outro dado alarmante é que cerca de 15% dos jovens já viram conteúdo sexual na internet e parte deles relatou sentir incômodo, após assistir cenas de sexo violento.

 

10 sintomas que indicam que você pode ter um vício em redes sociais e internet

O problema aparece quando as pessoas deixam suas relações e sua capacidade de comunicação exclusivamente baseadas em tecnologia, e quando, por causa dela, se isolam e aumentam seus níveis de ansiedade.

Veja abaixo alguns sinais de que você pode estar desenvolvendo um vício em redes sociais e internet:

 

1. Muito tempo on-line

Permanecer on-line por mais de 12 horas, acessar mais de 60 vezes as redes sociais ou ficar muitas horas seguidas em frente ao videogame.

 

Deixar de cumprir com responsabilidades
2. Deixar de cumprir com responsabilidades

Perder a noção do tempo e dos compromissos quando está conectado, não conseguindo sair, mesmo sabendo que precisa.

 

Irritabilidade e Ansiedade
3. Irritabilidade e Ansiedade

Você se sente irritado e ansioso quando precisa reduzir seu tempo de uso ou quando não pode entrar na internet.

 

Vício em Redes Sociais - Até na cama
4. Até na cama

Conferir as últimas atualizações nas redes sociais, na cama, à noite antes de dormir, e de manhã, antes mesmo de se levantar.

 

“Sem Wi-Fi? Nããããão…”
5. “Sem Wi-Fi? Nããããão…”

Recusar-se a fazer uma viagem ou ficar em um local que não tenha acesso à internet, mesmo que seja apenas por um fim de semana ou poucas horas.

 

O quarto ao lado é longe demais
6. O quarto ao lado é longe demais

Comunicar-se via WhatsApp com pessoas que estão na mesma casa é sinal de distanciamento e mostra que interagir com pessoas tornou-se tedioso ou cansativo.

 

Comprometer as relações
7. Comprometer as relações

Afetar as relações afetivas, pessoais, familiares e a vida profissional e acadêmica devido ao uso excessivo da internet. Estar ainda exposto a sofrer bullying, exclusão social, frustrações profissionais, dificuldades no casamento e até mesmo problemas financeiros.

 

Colocar a vida no “piloto automático”
8. Colocar a vida no “piloto automático”

Agir com automação em atividades rotineiras, que deveriam ter seu espaço no cotidiano: deixar de comer, ou comer sem nem perceber, abrir mão de hábitos de higiene (tomar banho, escovar os dentes, etc), não estudar ou até mesmo perder o emprego

 

“Me arruma uma tomada?”
9. “Me arruma uma tomada?”

Sentir ansiedade e real insegurança quando está sem os aparelhos, quando a bateria está acabando ou quando está sem bateria.

 

“Internet é vida”. Literalmente.
10. “Internet é vida”. Literalmente.

Sentir-se triste, ansioso ou deprimido a maior parte do tempo, sem motivação para fazer nada não relacionado à internet. Estar cada vez mais solitário e “caseiro”.

 

Quando é hora de buscar ajuda para o vício em redes sociais e tecnologia?

Se você considera que as redes sociais, jogos ou outras atividades on-line estão ocupando tanto tempo na sua vida (ou na de alguém que você conhece), a ponto de afetar não só a capacidade, mas também a vontade em fazer outras coisas, é preciso ficar alerta!

Pessoas com este quadro normalmente têm sintomas de ansiedade, depressão, pânico, fobia social, entre outras condições muito importantes, para as quais a ajuda de um profissional da psicologia pode ser de grande ajuda.

Não é difícil perceber onde está o limite do razoável. Em nossa lista acima, com 10 sinais de vício em redes sociais e internet, é possível que você tenha se identificado com um ou mais deles. Isoladamente, não representam um problema. Mas, somados, podem ser um indício de que é hora de buscar ajuda.

A internet é uma fonte inesgotável de conhecimento e informação, e representa um grande avanço na história recente da humanidade. Aprendermos quais são os limites do uso consciente destas tecnologias para o nosso próprio bem-estar é a diferença entre aproveitar-se dela para seu crescimento, ou transformá-la em um entrave para a própria vida.

Porque, assim como dormir, beber, comer, namorar, o ato de navegar em si não é errado. O mal está no excesso – para todas essas coisas, inclusive para a internet.