Perder quem se ama

Passar por uma perda é muito difícil.

Nos primeiros dias são só lembranças, boas e ruins. Dói ainda mais quando é um membro tão leal a você. Meu pai, meu espelho, um pedaço de minha estrutura social.

Meu pai era meu tudo.

Tudo vem à cabeça. Todas as brigas, todas as lembranças boas e até as ruins. Tudo aquilo que passamos e vivemos juntos altos e baixos.

Até aqueles conselhos de pai que os jovens não escutam, só quando perdem e também quando a vida mostra aquilo que não vemos por nós mesmos.

A vida é repleta de coisas boas e ruins. Passamos por cada coisa na nossa vida que só Deus sabe.

Eu queria entender o porquê de tudo isso.

Se nosso mundo fosse de paz, seria amor, mas a vida é igual um trecho de uma música que escuto sempre “sofrimento e crescimento purifica a alma”.

Depois desses três meses da perda de meu pai  estava tudo bem. Meus pensamentos a mil, eu tendo que tocar minha vida, tomar diferentes atitudes, atitudes realmente de homem.

Quando passaram três meses, certinho, meu corpo mudou, teve uma reação hormonal e cerebral fiquei mal.

Eu achei que tinha ficado doente e isso pra mim era coisa normal, mas eu decidi ir me aproximando dos mais velhos e soube através deles que isso era reação normal por causa da perda.

William Nascimento da Costa, usuário do CCA Cidade Júlia, São Paulo

Perder alguém que amamos é uma das piores sensações. Isso que o William nos contou mostra como ele passou pelo luto. 

Luto é um sentimento de tristeza profunda após a morte de alguém que amamos, e podemos observar isso no seu relato. É natural que passemos por esse momento e cada um tem a sua maneira de expressá-lo. Há pessoas que ficam caladas, que choram muito, outras que ficar irritadas, depende de cada um.

A psicóloga Juliana Batista, do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, explica que todo processo de luto tem um começo, um meio e um fim. “Diversas reações emocionais são despertadas [com a morte de alguém], como tristeza, ansiedade, culpa e raiva. Isso é muito comum. A pessoa também pode, num primeiro momento, querer se isolar do convívio social. Em relação às alterações físicas, podem ocorrer sudorese, palpitação e fraqueza, já que o corpo fica sob estresse. A reação varia de pessoa para pessoa, mas não há como evitar o processo de luto.”

Todo mundo se pergunta quanto tempo esse processo vai durar. Segundo a psicóloga, é  bastante comum ouvir a queixa: “faz tanto tempo que fulano faleceu e a esposa ainda não superou a perda”. Na verdade, não existe um tempo certo para superar a perda de alguém, isso depende de cada pessoa, do modo como ela enfrenta e aceita a situação. Para alguns pode demorar meses, para outros, anos.

“O primeiro ano após a perda é o mais difícil, porque é nesse ano que ocorrem todos os primeiros aniversários sem a pessoa próxima. Isso não significa que seja necessário um ano exato para superar a morte. Um processo de luto é bem sucedido e finalizado quando a pessoa consegue superar a perda e seguir em frente. Não é que ela vai esquecer a pessoa, pois as lembranças e a ausência continuarão. Entretanto, a perda não vai mais ocupar um lugar de destaque [na vida dela]”, explica a psicóloga.

 

Passar pelo luto é difícil, mas necessário. Se você está sofrendo, busque apoio psicológico, converse com quem você ama.

Para achar atendimento na rede pública, entre em http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/ e busque o atendimento mais próximo de você.

 

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