O Brincar e o aprender: Um olhar psicopedagógico na ACTC – Casa do Coração

 

O Brincar e o aprender – Um olhar psicopedagógico na ACTC – Casa do Coração

A Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração – ACTC – Casa do Coração, com sede situada na Rua Oscar Freire, 1.463, São Paulo, foi fundada em 1994, por iniciativa do Prof. Dr. Miguel Barbero Marcial, chefe da equipe de cirurgia cardíaca do Instituto do Coração – InCor (HC-FMUSP). O projeto foi concretizado com a ajuda e participação de médicos especialistas na área de cardiologia, colaboradores, empresários e voluntários.

A ACTC – Casa do Coração atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, portadores de cardiopatias, procedentes de diversas regiões do Brasil e de países vizinhos, usuários do Sistema Único de Saúde, que vêm acompanhadas de suas mães/acompanhantes, para tratamento nos centros médicos que atendem alta complexidade em São Paulo. A condição é que esses pacientes tenham sido encaminhados por rotinas estabelecidas entre os departamentos de Serviço Social dos hospitais. Oferecemos hospedagem, alimentação, apoio social, psicológico e pedagógico desenvolvendo uma ação que tem como meta transformar a situação-problema em crescimento e aprendizado.

Ao longo desse último trimestre, as Linhas de Atuação Reforço Escolar e Psicologia promoveram  atividades interdisciplinares ao ar livre com o objetivo de aguçar a comunicação, facilitar a construção do conhecimento e estabelecer relações sociais entre as crianças e adolescentes presentes na ACTC – Casa do Coração.

Ao refletir sobre a importância do brincar para o desenvolvimento cognitivo nos âmbitos emocional, social e educacional, atividades lúdicas foram propostas.  Oportunizar momentos de integração possibilita aos envolvidos a reprodução do cotidiano através de brincadeiras que estimulam a representação e a expressão de imagens evocadoras de aspectos da realidade.

O mundo da fantasia e da imaginação acessados por meio dos brinquedos, brincadeiras e jogos auxiliam o processo de aprendizagem, viabilizam a reflexão, a autonomia, a criatividade e o entendimento dos limites, fatores importantes ao desenvolvimento integral do ser humano.

Nesse contexto, o brincar não significa apenas recrear, vai muito além: caracteriza-se como uma das formas mais complexas que os indivíduos têm de comunicar-se consigo mesmo e com a sociedade, assim como evidencia a importância do estabelecimento de regras constituídas por cada um e por todo o grupo. Desse modo, os participantes conseguem resolver conflitos e hipóteses de conhecimento e, ao mesmo tempo, desenvolvem a capacidade de compreender diferentes pontos de vista, de fazer-se entender e de demonstrar a própria opinião em relação aos outros.

Complementarmente, através do brincar, os educandos aperfeiçoam também capacidades como percepção visual, coordenação motora, atenção, memória, concentração, controle inibitório, afetividade e sociabilidade. Além da diversão, as brincadeiras potencializam a exploração; preparam para a leitura, para os conceitos de lógica que envolvem números, para a classificação, para a ordenação e motivam os participantes a trabalhar em equipe na resolução de situações problemas.

Ao brincar, os seres humanos aprendem a respeitar regras e ampliam o relacionamento interpessoal. É por meio do universo lúdico que conseguem se expressar com maior facilidade, ouvir, respeitar, discordar, liderar ou ser liderado, compartilhar alegrias, possibilitar conquistas e formar a própria identidade.

O brincar é uma notável estratégia na aquisição do conhecimento experiencial, visto que leva a vivenciar a aprendizagem como processo social. A proposta do lúdico nas atividades sugeridas ao longo do trimestre foi promover uma alfabetização significativa na prática educacional, melhorar o rendimento escolar, as habilidades dos participantes e, acima de tudo, promover a inter-relação entre os afetos e os saberes. As interações ocasionadas durante as dinâmicas possibilitaram ao grupo a expressão de seus sentimentos o que permitiu a observação dos seus anseios, prazeres, frustrações e desejos. Desse modo, foi possível viabilizar algumas intervenções necessárias ao desenvolvimento das estruturas psicológicas e cognitivas dos envolvidos, contribuindo, assim, para a formação e o crescimento das crianças e adolescentes da ACTC – Casa do Coração.

 

Mais informações sobre o trabalho desenvolvido pela ACTC – Casa do Coração, acesse o site – www.actc.org.br.

Texto produzido por: Ariadne Aparecida da Silva Souza (Educadora)

Colaboração: Débora Pinto Carneiro (Assistente de Desenvolvimento Institucional) e Júlia Inácia Vieira Assunção (Psicóloga – CRP 06/140798)

Revisão: Norma Seltzer Goldstein

Fotos: Acervo ACTC – Casa do Coração