Não sei o que minha filha tem

 

Eu sou a Telma. A minha filha Thallia tem dois anos e meio. Tudo começou com problemas respiratórios. A gente ia aos prontos socorros, chegava lá, passavam inalação, tiravam raio-X do peitinho, que mostrava tudo limpo, e mandavam pra casa. Como ela não melhorava, surgiu a ideia de levar ela no pneumologista, a gente pagou uma consulta particular e fomos.

Chegando lá ele a examinou, como todo médico examina. De imediato falou que era asma e passou uma bombinha pra ela usar de doze em doze horas. Compramos a bombinha e começamos a fazer o procedimento.

A questão era que a gente não via melhora nela, e ela foi cansando cada vez mais. Depois de quinze dias da consulta, retornamos ao pneumologista e ele falou que como não tava melhorando, ia aumentar a dose da bombinha e passar inalação com remédio.

Em casa começamos com as inalações, só que aí, no primeiro dia ela teve alergia, o coração dela acelerou muito, o pescoço começou a coçar, ficar vermelho. Ligamos pra ele e ele mandou suspender e fazer só com o soro.

De uma semana pra cá ela começou a não querer comer e a emagrecer. Na quinta-feira à noite, dia 15, ela começou a ficar muito, muito, muito mole, não queria nem conversar.

Acordei na sexta de manhã e senti que tinha alguma coisa errada e, às oito da manhã, levei ela pro pronto-socorro.

Chegando lá eles fizeram inalação, como sempre, e ela foi piorando… tiraram o raio-X, tava tudo certo com o peitinho dela. Depois de um tempo chegaram duas médicas e me disseram que iam passar uma inalação com adrenalina. Eu não conhecia o que era e perguntei o que significava, e elas me disseram só que não ia fazer mal pra ela, que ia ajudar. E nada dela melhorar… Foi aí que decidiram enviar a gente pro Hospital Geral do Grajaú, dizendo que se precisasse ser feito um outro procedimento iam ter mais condições de fazer lá. Em menos de vinte minutos já tava na ambulância a caminho do HGG.

Chegando lá já fui atendida de imediato, até porque ela tava muito cansada e no oxigênio. Relatei todo o caso pro médico e ele recomendou fazer inalação, mesmo eu dizendo que ela já tinha feito inalação o dia inteiro e não tinha melhorado, ele queria ver como reagia com uma dosagem diferente. Eu segui a orientação até que chegou uma médica dizendo que iam tentar uns outros medicamentos junto com a inalação, inclusive adrenalina pura. Mesmo assim nada funcionou.

De repente ela começou a ficar pálida no meu colo. Eu me desesperei. Corri, chamei o médico, vieram dois. Examinaram ela e disseram que iam entubar. Eu não sabia o que era entubar e a doutora me explicou que era pra abrir uma passagem de ar e que ia ser melhor pra ela, mas, que eu tinha que sair da sala. Eu sai, e depois de mais ou menos uma hora começa um corre corre de médicos e enfermeiros e eu lá fora desesperada porque sabia que era ela.

Depois de  alguns minutos a mesma médica me chamou pra uma salinha particular. Eu já entrei sem chão, afinal ela me chamou pra uma sala particular depois daquele corre corre todo… Ela tava com uma enfermeira e um segurança e falou que não tinha conseguido entubar ela porque tinha algo no pescoço dela que não deixava passar o tubo pelas vias aéreas, mas que eles ainda não sabiam o que era que tava no caminho e que tinham achado melhor levar ela pra sala de cirurgia pra fazer a traqueo.

Eu não sabia o que era traqueo… comecei a chorar, me desesperar, ela me explicava mas não entendia nada, estava muito nervosa.

Depois de um tempo ela me chamou, falou que estava tudo bem e que era pra eu entrar pra ver minha filha.

Foi uma mistura de sentimentos antes de entrar, não sabia o que esperar. Quando entrei vi ela entubada, sedada, dormindo, cheia de aparelhagem… O cirurgião me chamou pra conversar e disse ‘olha mãe, o que aconteceu com sua filha foi algo extraordinário, a gente nunca viveu isso. Você tava na hora certa, no lugar certo com as pessoas certas pra salvar sua filha. Ou a gente fazia o que fez, ou sua filha morria.’ Ele me disse que quando cortaram o pescoço dela pra fazer a cirurgia pulava catarro velho, então quer dizer, o problema não tava no peito. Tiravam raio-X em tudo quanto era pronto socorro, dava que o pulmão tava limpo, mas o catarro tava na garganta dela, e ninguém tinha imaginado ou sugerido fazer um outro exame. Talvez, se tivessem feito algo antes, não teria acontecido isso com ela. Agora ela vai ficar um tempo usando a traqueo, sem previsão ainda de quanto, pode ser meses, um ano.

Quando eu subi pra UTI um doutor me chamou pra conversar sobre o quadro da Thallia. Ele me explicou que não tinham conseguido chegar a um diagnóstico pro caso dela, que no momento eles só sabiam que ela tinha uma massa de pus, que impediu a intubação, mas que não sabiam o porquê disso e que eles queriam investigar pra conseguir chegar a um diagnóstico. Ele começou a fazer várias perguntas pra mim, sobre minha infância e tudo mais, pra ver se chegava em alguma coisa, e nada… Decidiram fazer uma tomografia, aqui mesmo no hospital. No laudo da tomografia saiu que tem uma massa que começa no nariz dela e que vai até o pescoço , porém, eles não sabem ainda que tipo de massa que é essa. Teve até um médico que chegou pra mim e falou assim que ela  tinha um nódulo e outros que ela estava com câncer.

Cada dia era uma coisa diferente pra mim. Um dia eu estava chorando, outro dia eu feliz, e isso aconteceu durante vinte dias.

Depois de um tempo, os médicos decidiram fazer uma broncoscopia. Demorou alguns dias pra conseguir fazer, mas fizeram. Nesse laudo, a partir da biópsia, é que vão descobrir o que é realmente essa massa, então, por enquanto, tem um monte de pontos de interrogação, ninguém sabe o que ela realmente tem. Estamos aguardando, e enquanto isso não podem dar alta, porque dependendo do laudo é que vão saber direito o que fazer.

Estar no hospital já não é fácil, ainda mais sem saber o que seu filho tem e cada um falando uma coisa diferente complica ainda mais. Tudo que eu quero é saber pra já poder correr atrás, pra não perder mais tempo. De qualquer jeito eu sou muito grata, porque todo o suporte que ela precisou ela teve e está tendo. A única coisa ruim mesmo foi não saber exatamente e ficar tão confusa com tudo isso.”

Depois que saiu o laudo Telma faz contato com a gente e disse que felizmente não era nem um nódulo e nem cancer, para seu alívio! Mas, continuam no hospital porque ainda não sabem ao certo o que ela tem, ou seja, não chegaram a nenhum diagnóstico.

 

Se tivessem feito algo antes…

Com certeza teria sido muito diferente. Para que nosso corpo seja saudável o funcionamento das diferentes partes devem estar bem conectadas umas com as outras. O que aconteceu com Thallia foi que uma parte muito importante do seu sistema respiratório não estava conseguindo fazer sua função passagem do ar para o pulmão, comprometendo o funcionamento de seu corpo inteiro e quase levando à sua morte.

Identificar rápido desequilíbrios, disfunções ou qualquer outra coisa fora do comum – não só com nosso corpo, mas com tudo a nossa volta – é sempre algo muito positivo, porque impede que a situação se agrave e comprometa outras partes que se envolvem de alguma forma com o problema inicial.

Como diz o ditado “água mole pedra dura…” um problema que persiste pode ter consequências inimagináveis.

Traqueo? O que é isso?

Traqueo é o termo usado para se referir à traqueostomia. 

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste em fazer uma abertura na parede da traqueia, na altura da garganta, para facilitar a entrada de oxigênio quando o ar está obstruído. Essa abertura é feita por meio de um tubo de metal ou plástico. Como a Thallia estava com a traqueia cheia de pus, a traqueostomia foi feita para ela conseguir respirar.

 

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Muitos dos casos que ouvimos no Hospital Geral do Grajaú tem a ver com a respiração, por isso é importante cuidar do seu lar. Deixar o ar ventilar, abrindo sempre as janelas, tomar cuidado com mofo, tirar sempre o lixo de casa e limpar bem a casa ajudam a cuidar do nosso sistema respiratório.

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