História de Voluntariado – Alexandra e ACTC

A Alexandra De Michelli Nolasco, voluntária na ACTC – Casa do Coração, contou pra gente sobre sua experiência em voluntariado:

Eu sou voluntária na ACTC há sete anos, sempre fiz trabalho voluntário, aprendi com meus pais que também sempre fizeram trabalho voluntário.

Eu sou de Tupã, no interior de São Paulo, morei em Bauru e moro em São Paulo há 21 anos. Antes de ser voluntária na Obra do Berço que é uma creche na Zona Sul.

Meu filho nasceu com um problema cardíaco, ele teve transposição de grandes artérias, ou seja, …… , então ele teve que ser operado com oito dias de vida, ficou internado na UTI por 45 dias, ficou 30 horas entre a vida e a morte, e foi um momento difícil pra nossa família. Atualmente ele tem 12 anos e está ótimo, mas desde que ele nasceu eu percebi uma necessidade de apoiar uma instituição que atendesse pacientes cardíacos, de crianças especialmente. Fui pro Google procurar algum lugar que se encaixasse e achei a ACTC – Casa do Coração e mandei um e-mail na área de voluntariado.

A resposta deles foi que o quadro de funcionários estava cheio e que assim que liberasse uma vaga eles entrariam em contato comigo, mas eu queria muito ser voluntária aqui, então peguei o nome da pessoa que respondeu meu e-mail e liguei na ACTC pra falar com ela. Acho que a pessoa que passou o telefone pra ela pensou que eu já era voluntária.

Então eu expliquei pra ela que não era voluntária, mas queria muito porque eu tinha passado pela experiência de ser a mãe acompanhante, queria poder estar com as mães, apoiar. A responsável então me chamou pra uma conversa e na semana seguinte eu comecei.

Eu sempre vim uma vez por semana, comecei apoiando o projeto Brasileirinhos, com as crianças pequenas, eu ficava na estimulação, brincava com eles. Inicialmente eu vinha às segundas-feiras, mas tive que mudar por causa do horário da escola dos meus filhos, eu tenho três filhos. Tive que mudar de horário e acabei mudando também de área, fui para o administrativo, fui fazer a digitação das notas de cpf que eram doadas pra ACTC, sabe?

A parte administrativa não era muito a minha praia, então eu tive uma ideia. Eu trabalho com cartonagem, essa decoração de caixinhas com tecido, e propus ensinar pras mães ou pros adolescentes, e acabou acontecendo, hoje eu ensino os adolescentes a fazer cartonagem, até como uma forma de complementação de renda, porque as caixinhas feitas aqui são vendidas no bazar. Eu estou nessa área desde 2015 e é muito legal.

Eu lembro de uma menininha pequena que era uma graça, foi um baque quando ela faleceu porque ela e a mãe participavam muito das festas de tudo.

Um dia eu estava na ACTC e uma mãe estava super contente que o transplante da filha tinha dado certo e quando ela me contou a história da filha, do transplante e tudo que aconteceu eu chorei e ela estranhou. Contei pra ela da experiência do meu filho e ela levou um susto porque achava que isso não poderia acontecer com alguém com condições financeiras melhores.

Eu acho que trabalhar aqui e como voluntária em geral faz a gente perceber que não existe seleção pra uma condição genética, ou pra uma síndrome, nem nenhuma outra doença.

Por ser voluntária há tanto tempo, eu acompanho o crescimento das crianças, mesmo que às vezes elas fiquem longos períodos longe daqui, quando a gente se reencontra é super gostoso, tem uma alegria quando a gente se encontra.

No ano passado também fiquei muito contente porque eu passei seis meses fora do país e quando voltei descobri que o projeto da cartonagem havia continuado, até porque a Cintia, educadora, aprendeu tudo e continuou. É uma delícia conviver, aprender e ensinar com eles.

Houve um dia recentemente em que encontrei uma mãe da escola dos meus filhos e mencionei meu trabalho voluntário e ela comentou que o terapeuta dela havia dito que era uma má ideia porque seria muito pesado pra ela. Na hora eu tive que discordar com ele e falei pra ela o que sinto, que é uma vivência tão bacana, você aprende coisas novas e diferentes sobre as pessoas, até falei “Se eu fosse você, eu ia porque vai ser muito bom pra você”.

Meus filhos sempre vieram comigo, tem uma relação super bacana com as crianças daqui e com as educadoras, e algumas vezes quando descobrem que o meu filho teve que operar o coração a coisa muda, parece que acontece uma identificação.

Pra mim é muito gratificante fazer parte desse trabalho e aprender com eles aqui na ACTC.