Mãe aos 15 anos

Fui morar com o pai das minhas crianças aos 14 anos e ele tinha 26. Com 15 anos eu fiquei grávida. Foi na época em que iria começar a tomar injeção. Antes de aplicarem foi feito um exame e deu positivo, eu estava grávida de 3 meses!

Minha mãe e meu pai sempre foram compreensivos, mas o relacionamento com o pai das crianças ficou ruim, diferente, assim que engravidei.  Ficamos juntos até eu ter pouco mais de 16 anos e meio. Eu não reclamo da minha vida e de minhas crianças, eu tive gêmeos, nunca me atrapalharam, nem de chorar à noite. Eu assumi a maternidade e contei com o apoio da minha família.  Já havia parado de estudar, porque vontade própria e sempre quis trabalhar. Desde os 12 anos eu cuidei de minha irmã recém-nascida, porque minha mãe tinha que sair para trabalhar.

Minhas filhas estão na creche e eu procuro me esforçar ao máximo para cuidar delas. Quando falo que tenho filhos, pensam que perdi minha vida, mas penso que as crianças crescem e a vida vai continuar. Não é um erro, eu penso, quando olho para eles, que é uma coisa de Deus.

Eu sofri agressão do pai das crianças nos primeiros 6 meses de gravidez, então, me internaram para eu poder ganhar os bebês, e tentar prolongar a gestação. Ele não queria, ele ficava duvidando da paternidade e eu era fiel. Logo quando os bebês nasceram, eu tive eclâmpsia pós-parto. Tive que ficar 18 dias internada. As crianças estavam liberadas, mas pedi que ficassem comigo no hospital, porque não tinha com quem deixá-las. Tive anemia, início de leucemia, e cheguei a pesar 49 quilos. Para ter uma ideia, eu pesava 67 antes de engravidar e fui para 87 quilos grávida.

 

A eclâmpsia, que foi vivida por nossa correspondente pouco depois do nascimentos de seus filhos, é uma complicação grave com presença de convulsões seguidos de coma, podendo ser fatal, caso não seja tratada imediatamente. Ela pode ocorrer também durante a gravidez, após a 20ª semana de gestação, quando a grávida desenvolve hipertensão, retenção de líquido e perda de proteínas pela urina.

Os principais sintomas podem ser: convulsões, fortes dores de cabeça, hipertensão arterial, aumento de peso (devido a retenção de líquido), inchaço dos pés e mãos, perda de proteínas pela urina, zumbidos nos ouvidos, dor de barriga, vômitos e alterações de visão.

A ocorrimento da eclâmpsia está relacionado a implantação e o desenvolvimento dos vasos sanguíneos na placenta. A falta de irrigação sanguínea da placenta faz com que a mesma produza substâncias que ao caírem na circulação vão alterar a pressão do sangue e causar lesões nos rins

A fim de prevenir a eclâmpsia é preciso controlar a pressão durante a gravidez e fazer os exames de pré-natal, de forma a diagnosticar com antecedência e fazer o tratamento indicado. Mulheres grávidas com mais de 40 ou menos de 18 anos tem maiores chances de desenvolver, assim como gravidez de gêmeos, mulheres com hipertensão, diabetes, obesas ou com doenças renais crônicas.

Este Manual Técnico de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde explica doenças, como a eclâmpsia, que podem ser desenvolvidas por mulheres grávidas.