Desafios enfrentados durante a gravidez na adolescência

Recentemente conversamos com Mônica. Ela foi mãe aos 14 anos de idade e nos contou sobre os desafios, medos e inseguranças que vivenciou na época. 

“Eu conheci o pai do Vitor, meu filho, quando tinha 13 anos. A gente começou a se relacionar logo. Eu era muito caseira, nunca fui de sair, de ir para balada, eu fazia um curso e ia para a escola, enquanto minha mãe trabalhava. Quando a gente começou a namorar eu passei a cabular a aula e ir para a casa dele, foi nesse período que acabei engravidando.

Quando eu descobri que estava grávida e contei para ele, ele sumiu, desapareceu. Contei para a minha mãe sobre a gravidez e ela foi na casa da mãe dele para conversar com ela. Na época eu tinha 14 anos e ele 18. A mãe dele não se conformou, disse que o filho dela era apenas uma criança, que eu tinha o seduzido e disse que ele não iria assumir a criança.

Minha mãe me levou ao médico. Ele disse que como eu era muito nova e, portanto, tinha uma gravidez de risco, eu poderia realizar um aborto legalizado. Mas eu disse que não ia abortar, pois a partir do momento que eu soube que estava grávida já comecei a amar o bebê, foi um amor instantâneo. Minha mãe e minha família inteira queriam que eu abortasse. Um tio meu até chegou a falar para minha mãe me colocar para fora de casa. Só que minha mãe também foi mãe na adolescência, ela tinha 15 anos quando ficou grávida pela primeira vez. Quando ela sugeriu que eu fizesse o aborto, foi uma afirmação, em momento nenhum ela me perguntou o que eu queria. Nesse momento impus a minha vontade e falei: “Você abortou seu filho quando descobriu que ia ser mãe aos 15 anos? Você não abortou. Eu também não vou abortar o meu!”.

Minha gravidez foi bem complicada porque eu era muito nova. Eu engordei muito, pois o Vitor nasceu muito grande, com 3.850 kg e 51 cm e de parto normal. O parto foi muito complicado.

Assim que ele nasceu minha família inteira esqueceu o assunto do aborto, minha mãe ficou completamente apaixonada por ele.

Eu voltei para a escola durante o resguardo, foi muito complicado voltar a estudar e deixar meu filho em casa, pois ele ainda era muito pequeno.

Eu sofri muito preconceito da sociedade como um todo, assim que ele nasceu a médica disse: “Daqui um ano eu te vejo de novo”. Eu disse que ela não iria me ver! Quando nós chegávamos ao hospital para fazer exames, as pessoas me perguntavam a minha idade, me diziam que eu era muito nova para ser mãe, diziam que eu não ia saber cuidar do meu filho. Todo mundo falava isso para mim, mas eu nunca precisei que ninguém cuidasse do meu filho para mim, eu sempre fiz sozinha, nunca sai para me divertir e deixei ele com a minha mãe, nunca. Eu sempre estudei e trabalhei, pois eu tinha noção de que eu era a mãe e que o Vitor precisava de mim.

Quando estamos grávidas imaginamos um conto de fadas, achamos que vai ser maravilhoso, mas não é bem assim. Durante a gravidez ainda temos o pensamento de menina, quando o bebê nasce é que criamos a maturidade de perceber que somos mães e que tem alguém que precisamos cuidar.

Assim que o Vitor nasceu e olhei para ele e vi que naquele momento eu era mãe e que ele dependia de mim, eu tinha uma responsabilidade. Tem uma parte do pós parto que ninguém te conta, todo mundo diz que é maravilhoso, e não é, pois você tem que cuidar do bebê enquanto ainda está com ponto. Todo mundo pergunta sobre o bebê e ninguém se preocupa com você, ninguém quer saber se você está bem. Todo mundo leva presente para o bebê, mas ninguém lembra de te levar sequer um copo de água e isso é muito difícil. Minhas professoras conversaram muito comigo, porque eu era uma criança quando engravidei, eu não tinha noção de que ia ser mãe, para mim eu ia ter um bebê e pronto, beleza, Mas a gente tem que desenvolver a maturidade de ser mãe.

Foi muito difícil, muito complicado, não é fácil ser mãe na adolescência, são muitas exigências que colocam em cima da gente. Acham que a gente não vai dar conta, eu sei que muitas não dão conta mesmo, largam o filho para as mães (avós das crianças) cuidarem e vão viver a vida longe do filho, mas essas pessoas não sabem o quanto é gratificante você olhar para o seu filho e ouvir: “Mãe, eu te amo tanto!”.

Meu filho vai fazer 9 anos em dezembro e cada dia com ele é muito gostoso, muito mesmo!

Eu encarei muitas barreiras. Para arranjar emprego foi bem complicado, pois eu era adolescente e ainda tinha um filho. Eu comecei a trabalhar com 15 anos. Não foi fácil! Mas de todas as barreiras, a mais complicada foi o preconceito: da família, nos hospitais e até mesmo na rua. Até hoje quando eu estou com o Vitor as pessoas ficam chocadas quando ele me chama de mãe, elas acham que ele é meu irmão e vem me perguntar “Mas com quantos anos você engravidou?”. Sempre vem essa pergunta chata, que não é necessária e como se não bastasse quando eu digo a idade que engravidei as pessoas ainda me dizem: “Nossa, mas foi muito nova! Você não tem vergonha?”  E eu respondo: “Eu não, vergonha do meu filho? Por que eu teria vergonha do meu filho? Eu tenho vergonha das mães que engravidam e não cuidam dos seus! Porque eu sou mãe, eu não só gerei o Vitor, como sou mãe dele.

Hoje eu tenho dois filhos, o Vitor e a Valentina, ela ainda é bebê. A gravidez dela foi totalmente diferente, pois eu tinha muito medo de não conseguir amá-la do mesmo jeito que eu amo ele. Eu acho que deve ser assim com todas as mães. Foi muito difícil, muito complicado. Mas quando a Valentina nasceu eu me apaixonei completamente por ela também!

Eu tinha muito medo de não conseguir, de não dar conta de estudar e cuidar dele, mas eu consegui! Eu dei conta!”

(Monica Mello) 

 

Agradecemos imensamente a Monica por compartilhar conosco sua experiência e dividir as angústias e desafios que enfrentou durante sua gravidez na adolescência. O apoio da família e, sobretudo, do pai da criança é fundamental para a gravidez e após o nascimento do bebê. Em casos como o da Monica, que foi mãe solo, o carinho e suporte de todas as pessoas próximas é muito importante. Julgamentos e preconceitos não vão mudar a situação, pelo contrário, irão torná-la ainda mais difícil.

Todas as mães, em especial aquelas que vivem a gravidez na adolescência, devem manter seus objetivos e metas de vida firmes. Há casos em que algumas coisas precisem ser adiadas ou suspensas por um período, mas não devem nunca ser deixadas para trás. Filhos trazem muita responsabilidade e novas prioridades, no entanto, é possível conciliar a maternidade com sonhos anteriores, prova disso é a Monica, que com esforço e auxílio de pessoas queridas e próximas conseguiu viver a situação e superar todos os desafios que vieram junto dela!