A apendicite da Melissa

Olá,

Sou mãe da Melissa de 8 anos que estuda perto do Hospital Geral do Grajaú, no Parque América.

A Melissa acordou uma madrugada com muita dor de barriga e vomitando sem parar. Fomos ao AMA Castro Alves e suspeitaram que ela estivesse com uma virose, pois o irmão dela de 2 anos também teve. Como insisti em ter certeza de que era isso mesmo, fizeram exames de sangue e urina. A partir do resultado foi diagnosticada uma infecção grave, mas como ela sentia muita dor, não deixava o médico examiná-la.

No dia seguinte acordou com uma diarreia forte. Novamente ela não deixava tocar em sua barriga, o médico suspeitou de apendicite e fomos encaminhados para o Hospital Geral do Grajaú. Foram feitos raio-X e ultrassonografia, mas os resultados não apresentaram nenhum problema. Nisso, mais de 3 dias tinham se passado, a Melissa estava ficando desidratada, pois continuava com diarreia, e não conseguia comer e beber.

Devido a toda esta situação, os médicos acharam melhor internar a minha filha.  Como ela começou a andar de uma forma diferente, por causa da dor na barriga, a médica suspeitou que poderia ser apendicite. Foi feita uma tomografia e os médicos não tiveram dúvida: era apendicite e a inflamação já era muito grave!

A Melissa foi para uma cirurgia de emergência, que durou 1h30 e deu tudo certo.  Logo depois já ficou sem dreno. No entanto, quando andava saía um líquido e tiveram que recolocar o dreno. As dores na barriga se reiniciaram e novamente foi feita uma tomografia. O resultado mostrou que havia pus. Agora estamos aguardando, mas, provavelmente, a Melissa terá que passar por um segundo procedimento cirúrgico, que a ajudará a se recuperar totalmente.

EstomagoRetoColon.svg

A Ana, mãe da Melissa, nos contou um caso de apendicite, uma inflamação muito comum, mas, ao mesmo tempo, extremamente grave, havendo risco de se tornar uma infecção generalizada, caso não seja feito tratamento assim que diagnosticada.

A apendicite é a inflamação do órgão apêndice. Este está localizado no lado direito da região pélvica, no final do intestino delgado e início do intestino grosso (como mostra a imagem acima). Dentre suas funções, a parede deste pequeno órgão contém tecido linfático, que auxilia na produção de anticorpos; além disso, o apêndice também serve como reservatório de bactérias intestinais que auxiliam a digestão.

O apêndice produz, constantemente, um muco que é drenado para o ceco e se mistura com as fezes. O problema é que este é o único órgão da região intestinal que não tem saída, de modo que se houver alguma obstrução na drenagem do muco, este último se acumula e o apêndice dilata.

Quando o apêndice fica obstruído e inflamado, as bactérias que vivem no seu interior conseguem atravessar suas paredes, alcançando a circulação sanguínea e o peritônio. Nesta fase os sintomas da apendicite são percebidos:

– Dor que inicia ao redor do umbigo e fica mais forte no lado direito da região pélvica

– Náuseas

– Vômito

– Febre baixa

– Pode haver diarreia (como no caso da Melissa) ou prisão de ventre

Na maioria dos casos é necessário fazer uma cirurgia para retirada do apêndice, assim que descoberta a inflamação. No entanto, somente após realizar os exames é possível saber qual será o tratamento.