Ser jovem com condições cardíacas

O Renam Burgatte, de 23 anos, que mora em Tucuruí, no Pará, foi diagnosticado aos dez anos de idade, com uma válvula do coração com mau funcionamento e contou pra gente sobre sua experiência de vida.

Foi uma surpresa, eu nunca entendi direito se fiquei doente porque Deus quis, ou porque eu não me cuidei direito. A verdade é que o estrago aconteceu depois de uma gripe, minha garganta infeccionou e a bactéria acabou atingindo o meu coração.

Fiquei triste, horrorizado no começo, logo quando minha mãe descobriu. Eu ficava muito cansado, meus batimentos cardíacos ficavam muito fortes com pouco exercício. Ela me levou correndo pro hospital e lá o médico me disse que tinha algo errado e que eu precisava fazer uma cirurgia. Fiz um ecocardiograma e eles me mandaram pra Belém.

Em Belém me deixaram mais preocupado ainda, porque no hospital nos falaram que eu podia morrer e que a gente tinha que vir pra São Paulo. Eu era pequeno, mas já entendia o que isso significava, deu bastante medo. Foi uma correria, disseram que eu ia morrer em 72 horas, nem me examinaram, falaram que eu tinha que ir pra Teresina ou pra São Paulo.

A gente voltou pra casa triste, eu com muito medo, minha mãe orou muito pra Deus pra não acontecer nada comigo.

Eu comecei a vir, então, com meu pai pra São Paulo. Operei aos 11 anos, já faz doze anos desde minha cirurgia, mas só descobri a ACTC há cinco anos. Antes nós, eu e meu pai, ficávamos em outras casas de apoio que nos abriram as portas.

Eu sinto que a ACTC é muito organizada, que os funcionários se preocupam conosco, temos os módulos pra não pararmos de estudar. Já vi lugares que não se preocupam com os pacientes e os acompanhantes.

Atualmente meu coração ainda é fraquinho, mas eu aprendi a me cuidar. Quando era mais novo, até meus 15 anos, eu não respeitava muito os limites do meu corpo, não queria descansar, comer direito.

Não foi sempre fácil, já tive momentos em que quis morrer, acabar com isso logo, mas agora eu vejo que não é assim que devo encarar, eu preciso lutar pra viver.

Eu vou operar de novo no dia 1º de dezembro e fazer a prova de conclusão de Ensino Médio pra poder prestar engenharia.

Meu conselho pra quem foi diagnosticado agora com uma doença é: Se cuide, tenha paciência, não desista.