Quero voltar para a escola

História da Poliana, de 18 anos.

Estive com meu filhinho Miguel no Grajaú porque ele teve bronquiolite, começo de bronquite.

Com 15 anos tive minha primeira filha, Heloisa, e o segundo, o Miguel, que está aqui comigo, aos 17 anos.

Perdi minha mãe cedo, com apenas nove anos – a gente fica desesperada, parece que o mundo vai acabar. A pior parte é saber que nunca mais vai dar para dar um beijo, um abraço. Para completar, a minha avó, mãe do meu pai, com quem era muito apegada, morreu menos de um ano depois. Eu tive que aprender a me virar sozinha muito cedo.

Passados seis anos engravidei com 15 anos e fiquei mais desesperada. Eu nunca pensei em engravidar para segurar namorado, aconteceu. Não queria e disse coisas que não devia e das quais me arrependo. Estava no primeiro colegial e tive que parar. A gente acha que filho vai nascer e pronto, mas filho é para a vida toda. Ele ficou 15 dias na UTI, achei que meu filho ia morrer. Meu marido foi que sempre me apoiou, me estimula a estudar, me conforta com boas palavras. E eu vou voltar. Quero ser perita, ajudar a fazer necropsia. Vou retomar o ano que vem.