Gravidez na adolescência: um relato do HGG

A equipe do Hospital Geral do Grajaú também está participando do nosso Desafio Bebê X Escola, conversando com jovens mães e pais que estão na maternidade sobre sua experiência e seus planos de futuro.

Esta correspondente jovem tem 16 anos e o filho dela nasceu prematuro com apenas 7 meses de gestação. Ela conta para a gente sobre as dificuldades que passou, o julgamento que sofreu, e sobre como está sendo cuidar do neném. E, muito importante: ela não deixou a escola!

Minha gravidez na adolescência não foi muito fácil, porque eu passei por muitas coisas ruins.

Assim que soube que estava grávida,  minha preocupação era como eu falaria para minha mãe, então esperei um tempo para eu criar coragem e falar para minha mãe. Nesse meio tempo meu namorado já havia conversado com a mãe dele, pois para um homem, falar com sua família é bem mais fácil do que a mulher.

Um dia minha mãe saiu com meus irmãos e meu padrasto e eu iria encontrá-los depois. Quando saí ao encontro deles, minha mãe disse  que queria conversar comigo, aí fiquei muito preocupada. Então aconteceu o que eu mais temia: ela perguntou-me se eu estava grávida. Meu silêncio respondeu o que ela deduzia, aí ela começou a falar um monte –  e o meu padrasto falou-me coisas piores.

Ficamos alguns dias sem nos falar, aí tudo passou. As férias haviam acabado, eu voltei a estudar e minha barriga foi crescendo. Muitas pessoas me  julgaram, diziam para eu desistir do estudo, disseram que eu iria arrepender-me de ter engravidado cedo, que eu não teria responsabilidade.

Infelizmente, meu filho não nasceu de 9 meses, nasceu de 7 meses, por causa de uma cotovelada  que levei  na escola.                             Depois dessa cotovelada, comecei a sentir muitas dores, mas não falava pra ninguém, porque a única coisa que eles faziam era me julgar. Até que chegou um dia que eu fui para um aniversário e as pessoas de lá me acharam estranha, pois eu estava amarela e sentindo muito calor. Deu vontade de usar o banheiro, foi quando vi sangue. Chamei meu namorado para irmos para casa, pois eu não estava bem. Chegando em casa,  fui ao banheiro novamente, aí não deu pra segurar, estava sentindo muita dor, chamei meu namorado e ele chamou minha mãe, pois eu estava sangrando.

Minha mãe veio rápido e pediu para deitar-me e abrir as pernas. Abri e ela disse que o bebê iria nascer, aí arrumaram um carro para levar-me ao hospital, mas não deu tempo pois meu filho acabou nascendo dentro do carro. Ele não chorou, fiquei desesperada. Nisso, estávamos indo para  o hospital e, chegando lá, o médico disse que o estado do meu filho era grave, pois ele não chorava de jeito nenhum.

Pensei que iria perder meu filho, ele ficou duas semanas internado e eu ia vê-lo todos os dias, eu chorava todos os dias, mas graças a Deus ele ficou bem e pôde ir para casa. Cuidei muito bem dele, mas hoje ele está internado porque ficou gripado e muito cansado. As pessoas que falaram mal de mim se arrependeram, porque não desisti de estudar e cuido bem do meu filho. Claro que passo por dificuldades, mas tenho muita fé e força pra lutar.

Por isso digo: não deixe que palavras mudem  seu jeito de pensar, basta ter força e fé que podemos ir mais longe do que pensamos. Desistir nunca, sempre lutar.

 

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