Antes de terminar, abril já tem recordes de mortes por Covid-19 em 8 unidades federativas

Cruzes e fotos de políticos são vistas cobertas por tinta vermelha durante protesto contra o presidente Jair Bolsonaro e sua atuação diante da pandemia de Covid-19 em Manaus, no dia 23 de abril. — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Oito das 27 unidades federativas brasileiras – incluindo toda a região Sudeste – registraram, até sábado (24), recordes de mortes por Covid-19 neste mês: Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo Amapá e Piauí.

Todas, com exceção do Amapá e do Rio de Janeiro, estão no segundo mês seguido de recorde de óbitos.

Os dados foram apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país.

O mês de abril já é o pior em número de mortes desde o início da pandemia no Brasil: 67.723 óbitos foram registrados no país até este sábado (24). Antes, o recorde era do mês passado, quando 66.868 mortes foram registradas em solo brasileiro.

Abril é o mais letal da pandemia da Covid-19. — Foto: Arte/G1

“Acho que a gente vai poder entender melhor o recorde de mortes quando a pandemia tiver acabado, porque vai poder comparar os estados com mais precisão”, avalia a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Ela explica que os estados tiveram momentos diferentes na pandemia.

“Quando a gente faz esse recorte no tempo, pode ser que não esteja no mesmo momento, e aqueles que estão com mais mortes agora podem não estar depois. Vamos conseguir ter um panorama melhor quando tivermos controlado a pandemia”, afirma.

Para a cientista, alguns fatores contribuíram para o recorde no Espírito Santo, por exemplo: uma delas é o fato de a variante B.1.1.7, do Reino Unido, ter sido a predominante no estado. Ela tem sido apontada como mais transmissível – e, por alguns estudos, mais letal, mas isso ainda não é consenso.

Outro ponto é que os leitos de UTI e a assistência hospitalar no estado estão concentrados nas cidades maiores.

“A maior parte dos municípios não tem hospitais, então não tem serviço de saúde de alta complexidade. Se o caso agrava no interior, até ele ser transferido… esse tempo também pode ter sido um dos responsáveis por nós termos casos mais graves”, pontua a professora da Ufes.

Uma constatação comum a todo o país é que as equipes das UTIs não puderam ser qualificadas na mesma velocidade de abertura dos leitos.

“Esses leitos de UTI requerem uma mão de obra muito mais qualificada do que a gente foi capaz de produzir ao longo dessa pandemia. Essa pandemia é muito curta, essa expansão dos leitos é maior do que a capacidade do sistema de qualificar pessoas”, lembra Maciel.

Em entrevista ao G1 em meados do mês, a professora avaliou que a alta de mortes em abril já era prevista, por causa dos altos números de casos e internações vistos no final de março.

“A gente precisaria de medidas mais restritivas de circulação e uma vacinação mais rápida para que diminuísse essa transmissão, o número de pessoas doentes. Um percentual delas sempre vai precisar de internação em enfermaria e UTI. Nós estamos, neste momento, ainda com uma pressão muito grande no sistema de saúde e, ainda, muitos casos novos todos os dias, que vai indicar ainda um abril muito difícil”, havia dito a cientista.

Metodologia

O dado referente às mortes de abril foi calculado somando-se as mortes diárias vistas no mês; os números de mortes dos outros meses de 2021 foram determinados da mesma forma.

As mortes registradas nos meses de 2020 foram calculados com uma metodologia um pouco diferente, mas cujo resultado é o mesmo: subtraindo-se o total de mortes visto no último dia de um mês do total de mortes visto no último dia do mês seguinte (por exemplo: total de mortes em 31 de agosto – total de mortes em 31 de julho = total de mortes em agosto).

O consórcio de veículos de imprensa começou o levantamento conjunto no início de junho. Por isso, os dados mensais de fevereiro a maio são de levantamentos exclusivos do G1. A fonte de ambos os monitoramentos, entretanto, é a mesma: as secretarias estaduais de Saúde.

Outra observação sobre os dados é que, no dia 28 de julho do ano passado, o Ministério da Saúde mudou a metodologia de identificação dos casos de Covid e passou a permitir que diagnósticos por imagem (tomografia) fossem notificados. Também ampliou as definições de casos clínicos (aqueles identificados apenas na consulta médica) e incluiu mais possibilidades de testes de Covid.

Desde a alteração, mais de mil casos de Covid-19 foram notificados pelas secretarias estaduais de Saúde ao governo federal sob os novos critérios.

Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/

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