Piercing na boca: conheça aqui todos os tipos, cuidados e complicações

O piercing na boca, assim como outros piercings, é um acessório utilizado por muitos, porém nem sempre foi assim. O uso deles começou há muito tempo atrás, porém antigamente eles eram utilizados baseado em seus significados. Desse modo, antigamente eles também eram restritos à alta sociedade, de modo que apenas as pessoas com status poderiam …

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A gente se encontra no metaverso!

A expressão metaverso foi criada pelo escritor Neal Stephenson em seu livro “Nevasca” (“Snow crash”), em 1992, para se referir a um mundo virtual no qual as pessoas se encontravam, namoravam, jogavam e faziam compras. No limiar de 2022, significa um ambiente 3D no qual videogames, redes sociais e entretenimento vão se fundir para criar experiências de imersão. Ali, através de seus avatares, os participantes vão interagir e fazer tudo o que fariam na vida real, mas não sinta calafrios como se estivéssemos à beira do apocalipse. É claro que gigantes de tecnologia salivam diante do potencial do mercado – não foi à toa que Mark Zuckerberg rebatizou seu negócio como Meta – e basta imaginar as vendas de acessórios para seu avatar ser capaz de realizar proezas e estar na última moda. No entanto, o metaverso pode ser muito mais. Ele pode ajudar gente de carne e osso.

Menina brinca com visor de realidade virtual: metaverso vai fundir videogames, redes sociais e entretenimento — Foto: Yohoprashant para Pixabay

Alguém se lembra do Second Life? Lançado em 2003, tornou-se uma febre e todas as empresas queriam estar naquela réplica do nosso mundinho, até que micou e sumiu do mapa. Vamos considerá-lo uma espécie de avô do metaverso. De lá para cá, a tecnologia evoluiu aos saltos, com visores de realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), realidade mista (que une características de RV e RA), telas de alta definição, luvas de controle e outros dispositivos que podem ser vestidos (wearables). Tudo isso, junto e misturado, será o metaverso. Verdade que, de lá para cá, também enfrentamos o tsunami de fake news e redes de ódio, mas fico seduzida pelas lentes dos otimistas, que enxergam o metaverso como uma plataforma capaz de revolucionar a saúde, o ensino, as relações humanas.

Para começar com algo potente: é um espaço com grande potencial para aliviar sintomas de ansiedade, dor ou depressão. No Instituto de Tecnologias Criativas, na Universidade do Sul da Califórnia, o psicólogo Albert “Skip” Rizzo já utiliza a realidade virtual para tratar o transtorno de estresse pós-traumático de veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão. Na chamada terapia de exposição, o paciente, guiado por um terapeuta treinado, confronta seus traumas através da simulação dessas experiências. Usando um visor, entra num ambiente virtual com diferentes cenários daqueles países, que vão de cidades a estradas desertas.

Vítimas de queimaduras atendidas num programa da Universidade de Washington, crianças internadas no Hospital Los Angeles e mulheres em trabalho de parto no Cedars-Sinai se valem da realidade virtual para auxiliar no controle da dor. Nesses casos, os pacientes entram sozinhos no ambiente virtual; no metaverso, estariam acompanhados por familiares, médicos e enfermeiros, numa vivência provavelmente ainda mais benéfica. No Centro de Simulação e Inovação em Educação Médica da Universidade de Miami, os alunos interagem com um manequim que reproduz praticamente todo tipo de distúrbio cardíaco. Usando headsets de RV, visualizam tudo o que ocorre dentro do “organismo” e aprendem o que deve ser feito em cada situação. Treinamentos virtuais permitem que os estudantes cometam erros e recebam a orientação correta sem causar danos a pacientes reais.

Os sedentários receberão uma ajuda extra para se exercitar: imersos num universo paralelo com visores, se desviarão de obstáculos, socarão formas (ou inimigos) que se aproximam e, inclusive, contarão com companheiros nessa jornada. O headset Oculus Quest 2 foi lançado durante a quarentena com grande sucesso, já que as pessoas estavam confinadas em casa. Uma versão turbinada e com mais opções de jogos de aptidão física é aguardada para 2022. A experiência imersiva do metaverso pode realmente trazer o mundo para a sala de aula, democratizar as viagens, levar a arte a qualquer lugar, fazer com que os seres humanos entendam melhor os problemas do planeta, como as mudanças climáticas. O prazo? Talvez menos de uma década. A gente se encontra lá!

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/

Cárie interproximal: saiba mais sobre esse tipo de cárie aqui

A cárie interproximal, também conhecida como interdental, é um tipo de cárie mais difícil de se identificar por ficar entre os dentes. Desse modo, algumas vezes ela pode acabar gerando complicações quando não diagnosticada e tratada em seu início. Conheça mais sobre esse tipo de cárie aqui: O que é cárie interproximal? A cárie, também …

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Por que a China reclamou de Elon Musk à ONU por risco de tragédia

Dono da SpaceX foi alvo de intensas críticas nas redes sociais chinesas depois que estação espacial do país teve dois “encontros imediatos” com os satélites Starlink neste ano, afirmou Pequim — Foto: Getty Images via BBC

O americano Elon Musk, dono da Tesla e homem mais rico do mundo, foi alvo de intensas críticas nas redes sociais chinesas, depois que a China reclamou que a sua estação espacial foi forçada a evitar colisões com satélites lançados pelo projeto do bilionário, Starlink Internet Services.

A estação espacial do país teve dois “encontros imediatos” com os satélites Starlink neste ano, afirmou Pequim.

Os incidentes por trás das queixas, apresentadas à agência espacial da ONU, ainda não foram verificados de forma independente.

Musk é bem conhecido na China, embora sua montadora de carros elétricos Tesla esteja sob crescente escrutínio dos reguladores.

Os incidentes ocorreram nos dias 1º de julho e 21 de outubro, de acordo com um documento apresentado pela China neste mês ao Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (Unoosa).

“Por razões de segurança, a Estação Espacial China implementou um controle preventivo de prevenção de colisões”, disse Pequim no documento publicado no site da agência.

A SpaceX não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da BBC.

SpaceX: 10 pontos sobre a companhia e seu polêmico fundador, Elon Musk

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Depois que a reclamação foi tornada pública, Musk, Starlink e os EUA foram duramente criticados na plataforma chinesa de microblog Weibo, semelhante ao Twitter.

Um usuário descreveu os satélites da Starlink como “apenas uma pilha de lixo espacial”.

Os satélites são “armas americanas de guerra espacial” e “Musk é uma nova ‘arma’ criada pelo governo e militares dos EUA”, disseram outros.

Um usuário postou: “Os riscos da Starlink estão sendo gradualmente expostos, toda a raça humana pagará por suas atividades comerciais.”

A China também acusou os EUA de colocar os astronautas em perigo por ignorar as obrigações sob os tratados do espaço sideral.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse que a China está pedindo aos EUA que ajam com responsabilidade.

Cientistas expressaram preocupação sobre os riscos de colisões no espaço e pediram aos governos mundiais que compartilhassem informações sobre os estimados 30 mil satélites e outros detritos espaciais que orbitam a Terra.

No mês passado, a Nasa, a agência espacial americana, adiou abruptamente uma caminhada no espaço saindo da Estação Espacial Internacional por causa de preocupações com detritos espaciais.

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/

Odontopediatra: saiba mais sobre a função desse profissional

O odontopediatra é o dentista focado no atendimento de crianças e adolescentes. Isso garante que o profissional esteja apto para atender qualquer demanda do público infantil. Conheça mais sobre esse profissional aqui: O que é odontopediatria? Assim como na medicina, a odontologia também possui áreas de especialização, em que cada uma possui um foco diferente. …

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Há descobertas promissoras para o tratamento do Parkinson

Como prometi no domingo, a última semana de 2021 será dedicada a boas notícias. Para os pacientes com Doença de Parkinson, que ocupa o segundo lugar entre as desordens neurodegenerativas mais frequentes, há o que se comemorar. A enfermidade, que começa a se manifestar por volta dos 60 anos e é mais comum entre os homens, afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular e alterações de marcha e equilíbrio. Pesquisadores da Universidade de Northwestern e do Centro Médico Weill Cornell, ambos nos Estados Unidos, e do Instituto de Biomedicina de Sevilha apresentaram um estudo promissor com camundongos que pode beneficiar quem se encontra num estágio avançado da doença. Nessa fase, o tratamento com a substância levodopa, que aumenta a quantidade de dopamina – neurotransmissor que ajuda a aliviar os sintomas do Parkinson – não apresenta a mesma eficácia. A nova terapia modificou geneticamente cobaias tendo como alvo a área do cérebro chamada substância negra, que é crucial para o controle motor, e restaurou a capacidade dos neurônios da região de converter a levodopa em dopamina.

A Doença de Parkinson afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e alterações de marcha e equilíbrio — Foto: StockSnap para Pixabay

Na Universidade de Georgetown (EUA), os cientistas fizeram uma descoberta inesperada ao se deparar com o mau funcionamento da barreira hematoencefálica (BHE) em alguns pacientes com Parkinson. Essa barreira é formada por células endoteliais alinhadas com os capilares e forma uma estrutura que funciona como um “filtro”, permitindo a entrada de moléculas essenciais e dificultando que substâncias prejudiciais atinjam o sistema nervoso central e o líquido cefalorraquidiano. Nos casos analisados, a barreira tinha um comportamento anômalo: não deixava as toxinas saírem do cérebro e impedia os nutrientes de entrar. Num estudo com 75 participantes com Parkinson severo, eles foram tratados com a substância nilotinibe, normalmente utilizada em casos de leucemia mieloide crônica. Ao fim de 27 meses, a droga havia se mostrado eficiente em deter o declínio motor dessas pessoas, mas os cientistas ainda puderam festejar uma segunda descoberta. A análise epigenômica do líquido cefalorraquidiano dos indivíduos apontou que a nilotinibe também desativava uma proteína (DDR1) que era responsável por minar a capacidade da barreira hematoencefálica de funcionar corretamente. Quando a DDR1 era “neutralizada”, o “filtro” passava a funcionar e o nível de inflamação diminuía a ponto de o neurotransmissor dopamina voltar a ser produzido. Esse achado, publicado na revista científica “Neurology Genetics”, pode levar a um novo patamar de intervenção terapêutica. Na indústria farmacêutica, o que foi feito com a nilotinibe – testar medicamentos que já existem para avaliar sua eficácia contra outras doenças – chama-se reposicionamento de fármacos.

A Academia Norte-americana de Neurologia (AAN em inglês) divulgou recentemente uma atualização das recomendações da entidade para o uso de medicamentos dopaminérgicos – o documento anterior era de 2002. “Revisamos os estudos sobre a eficácia e os possíveis riscos dos medicamentos usados no manejo dos sintomas nos estágios iniciais da doença e avaliamos que, mesmo com os efeitos colaterais que toda droga apresenta, a levodopa é a melhor opção”, afirmou a médica Tamara Pringsheim, principal autora do trabalho. Ainda assim, a revisão feita pelos médicos da entidade fez a ressalva de que a levodopa tem mais chances de provocar discinesia (movimentos involuntários do rosto, braços, pernas ou tronco) nos cinco primeiros anos do tratamento. Para contornar o problema, a dose prescrita deve ser a mais baixa possível para chegar ao melhor custo/benefício.

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/

Mais uma do laboratório mundial do envelhecimento

Nesta última semana do ano, as colunas serão dedicadas ao futuro e às possibilidades (reais) de que a vida de todos nós possa melhorar. Em mais de uma ocasião, falei sobre o Japão como um laboratório onde são testadas soluções para os desafios do envelhecimento da população. Na edição de 11 de dezembro, a revista britânica “The economist” foi além, enfatizando que, como os japoneses já lidam com problemas que ainda vão se abater sobre os outros países, todas as suas ações deveriam ser observadas de perto. São questões de grande porte, como o risco de desastres naturais se tornarem catástrofes, como o acidente nuclear em Fukushima depois de um tsunami; as agruras de ficar “espremido” entre Estados Unidos e China; e, claro, como garantir que a longevidade seja realmente um bônus, e não um ônus, para os cidadãos.

Robôs operados remotamente por pessoas com severas deficiências servem clientes no Dawn Café — Foto: Divulgação: Ory Lab

Poucos países têm investido tanto em robótica para contemplar as necessidades dos seres humanos. Essa é uma das boas histórias de fim de ano que tenho para contar. Em Tóquio, no café Dawn (Diverse Avatar Working Network), o público é atendido por robôs muito especiais. Na verdade, são controlados remotamente por pessoas com severas limitações físicas, como pacientes com esclerose lateral amiotrófica. Esses operadores, chamados de “pilotos”, estão em casa, presos a uma cadeira de rodas ou a uma cama, e acionam os robôs via mouse, tablet ou controle pelo olhar.

A abertura do café aconteceu em junho, em Nihonbashi, distrito comercial de Tóquio, e é relativamente comum que engenheiros do Laboratório Ory, startup por trás do projeto, circulem pelo salão aperfeiçoando o experimento. A iniciativa ganhou o prestigioso Good Design Award 2021 e é uma lição de como a inteligência artificial pode significar inclusão e interação. Os robôs Ory também são utilizados em lojas de departamentos, nas quais saúdam os clientes e servem como guias, e em estações de transporte.

Visão do salão do café Dawn, em Tóquio, onde os garçons são robôs — Foto: Divulgação: Ory Lab

A longevidade deve ser celebrada, mas isso não ocorre se os idosos estão debilitados e solitários. Nações que estão envelhecendo rapidamente, como é o caso do Brasil, poderão se beneficiar com as iniciativas que vêm sendo implementadas no Japão. Por volta de 2050, uma em cada seis pessoas no planeta terá mais de 65 anos. O governo japonês tem pressa: quer seus cidadãos saudáveis e ativos pelo maior tempo possível, e tem estimulado as empresas a manter seus funcionários até os 70 anos. Atualmente, 33% dos japoneses entre 70 e 74 trabalham, enquanto o percentual era de 23% há uma década. A Sociedade de Gerontologia daquele país quer, inclusive, reclassificar a faixa etária entre 65 e 74 anos como “pré-velhos” – uma espécie de “pré-adolescência” da velhice.

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/

Como as vacinas de RNA que nos salvaram da covid-19 podem derrotar outras doenças

Já há ensaios clínicos em curso que usam a tecnologia de RNA para tratamento de outras doenças, além da covid-19 — Foto: Getty Images/BBC

Há apenas um ano, a pesquisadora britânica Anna Blakney trabalhava em um campo da ciência pouco conhecido do público em geral, e bastante especializado. Poucas pessoas fora do meio científico tinham ouvido falar do tipo de pesquisa que ela realizava no seu laboratório em Londres: o desenvolvimento de vacinas de RNA.

Quando Blakney começou em 2016 seu PhD na universidade Imperial College, em Londres, “muitas pessoas duvidavam que a vacina com uso de RNA pudesse funcionar”, diz ela. Em 2019, uma palestra oferecida por Blakney recebeu algumas dezenas de pessoas.

Agora, “todo o campo de (uso de tecnologia com) RNA está explodindo. É uma grande mudança na medicina”, afirma a pesquisadora. Professora assistente na British Columbia University, no Canadá, Blakney agora tem mais de 250 mil seguidores na plataforma de redes sociais TikTok e mais de 3,7 milhões de “curtidas” nesta rede.

Ela diz que estava “lugar certo e na hora certa” para fazer parte de um progresso nas pesquisas em uma velocidade muito acima do normal. Devido à pandemia de coronavírus, muitas pessoas ouviram falar e receberam vacinas de RNA da Pfizer/BioNTech ou da Moderna.

Com o progresso rápido da tecnologia devido ao grande investimento feito por causa da pandemia, muitas dúvidas e hipóteses para investigação surgiram: as vacinas de RNA poderiam ajudar a curar certos tipos de câncer, HIV, doenças tropicais (como malária)? Elas poderiam ajudar a criar uma “imunidade sobre-humana”?

Sem necessidade de vírus mortais dentro de ovos de galinhas

O ácido ribonucléico mensageiro, ou RNA, é uma molécula em formato de fita que carrega o código genético do DNA para a produção de proteínas em uma célula. Diferente do DNA, que é composto por uma fita dupla de códigos (formando a famosa hélice), o RNA é composto por uma fita simples.

Sem o RNA, seu código genético não seria usado, proteínas não seriam produzidas e seu corpo não funcionaria. Em uma metáfora simples, se o DNA fosse um cartão de banco, o RNA seria o leitor do cartão.

Quando um vírus está dentro de nossas células, ele libera seu próprio RNA, enganando nossas células sequestradas para que produzam cópias do vírus, na forma de proteínas virais, que comprometem nosso sistema imunológico.

As vacinas tradicionais funcionam injetando proteínas virais inativadas chamadas antígenos, que estimulam o sistema imunológico do corpo a reconhecer o vírus quando ele tenta infectar o corpo.

A genialidade das vacinas de RNA é que não é preciso injetar os antígenos: o que essas vacinas fazem é usar a sequência genética ou “código” do antígeno traduzido em RNA, para provocar uma resposta do sistema imune.

Depois, o RNA artificial desaparece, destruído pelas defesas naturais do corpo — incluindo as enzimas que o decompõem, deixando-nos apenas com os anticorpos.

Em comparação com as vacinas tradicionais, a vacina de RNA é mais segura para produzir, mais rápida e mais barata. Não são necessários enormes laboratórios com altos níveis de biossegurança que desenvolvem vírus mortais dentro de ovos de galinha, como é o caso de muitas vacinas tradicionais.

A chegada das vacinas contra covid foi comemorada em todo mundo — Foto: Getty Images/BBC

Em vez disso, um único laboratório pode sequenciar as proteínas do antígeno e enviar este código por e-mail para o outro lado do planeta.

Com essa informação, um laboratório poderia produzir “um milhão de doses de mRNA em um único tubo de ensaio de 100 ml”, diz Blakney.

Com a pandemia de coronavírus, vimos como esse processo acontece em tempo real.

Correndo contra a covid-19

Em 10 de janeiro de 2020, Zhang Yongzhen, professor de zoonoses no Centro para Controle e Prevenção de Doenças da China em Pequim, sequenciou o genoma do coronavírus e o publicou no dia seguinte.

Em 16 de março, a partir da sequência feita por Zhang, a primeira vacina de mRNA começou a ser testada na fase 1 de um ensaio clínico (com humanos).

Em 11 de dezembro de 2020, a agência sanitária dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou a vacina Pfizer-BioNTech contra a covid-19. Ela se tornou não apenas a primeira vacina de mRNA aprovada para uso em humanos, mas também a primeira a ter mostrado nos ensaios clínicos uma taxa de eficácia de 95%.

Já a vacina de mRNA da Moderna contra a covid-19 foi aprovada pouco depois, em 18 de dezembro.

Antes, a vacina detentora do título de “produzida mais rapidamente na história” era contra a caxumba, que precisou de quatro anos para ser desenvolvida.

Já as vacinas da Moderna e Pfizer-BioNTech precisaram de apenas 11 meses.

A teoria por trás da vacina de mRNA tem a assinatura dos cientistas da Universidade da Pensilvânia Katalin Karikó e Drew Weissman. Eles receberam recentemente o prêmio Lasker 2021, o maior dos EUA na área da biomédica.

No entanto, ainda em 2019, acreditava-se que as vacinas convencionais de mRNA ainda demorariam pelo menos cinco anos para se tornarem realmente aplicáveis na população. A pandemia acelerou este cronograma.

Métodos de entrega: os ‘heróis esquecidos’

Importante colaboradora de Weissman e Karikó, a pesquisadora Kathryn Whitehead, professora associada de engenharia química e biomédica na Universidade Carnegie Mellon, admite que “não havia muitas pessoas envolvidas no mundo das terapias de mRNA que imaginariam taxas de eficácia iniciais de 95% neste cenário de emergência.”

Mas agora, as possibilidades parecem infinitas. Ou, como diz Blakney: “Bem, já funcionou para uma glicoproteína viral, então que outras vacinas podemos fazer com ela? E o que podemos fazer além disso?”

Na Universidade de Rochester, Dragony Fu, professor associado do departamento de biologia, recebeu um financiamento da US National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência dos EUA) para seu laboratório acelerar a pesquisa sobre proteínas de RNA.

Ele lembra que, antes da covid-19 existir, já havia pesquisas de vacinas de mRNA contra os vírus do HIV, zika, herpes, além do parasita da malária.

“A outra categoria é das doenças autoimunes”, diz o pesquisador. “É intrigante porque vai além da definição estrita do que é uma vacina”.

Fu acredita que o futuro pode envolver “tratamentos” de mRNA, por exemplo, para reduzir inflamações.

Yizhou Dong, professor associado de farmácia e farmacologia da Ohio State University, é especialista em pequenas bolas de gordura que envolvem o mRNA de forma a entregá-lo com segurança às células, sem que nosso corpo destrua esse material genético imediatamente.

Esses lipídios foram descritos como o “herói esquecido” desta tecnologia — se este método de entrega não tivesse sido aperfeiçoado e aprovado pelo FDA em 2018, possivelmente não haveria as cobiçadas vacinas de mRNA de 2020.

Graças ao avanço combinado da entrega por lipídios e da tecnologia de mRNA, estão em desenvolvimento os projetos Translate Bio para fibrose cística e esclerose múltipla; uma vacina de mRNA da Gritstone Oncology e Gilead Sciences para HIV; terapias para fibrose cística e doenças cardíacas da Arcturus Therapeutics; e tratamentos de doenças pulmonares graves e asma pela start-up alemã Ethris em parceria com a AstraZeneca.

Katalin Karikó (na imagem) e Drew Weissman foram pioneiros no uso da tecnologia — Foto: Getty Images/BBC

Uma solução para as doenças negligenciadas?

Tratamentos para doenças tropicais também estão sendo explorados.

A Moderna está perto da fase dois (de um total de três) dos ensaios clínicos com vacinas de mRNA para zika e chicungunha. São doenças consideradas negligenciadas por afetar populações de países mais pobres, não recebendo verbas para pesquisa e outros investimentos necessários.

A velocidade de produção e o custo das vacinas de mRNA podem driblar as barreiras atuais que fazem destas doenças negligenciadas.

Mas talvez a próxima vacina de mRNA a chegar a nós seja contra um inimigo mais conhecido: a gripe. Os vírus responsáveis por ela causam entre 290 mil e 650 mil mortes anualmente em todo o mundo.

“Essas vacinas de mRNA estão em desenvolvimento há anos, e os ensaios clínicos até agora são animadores. Atualmente, existem cinco testes clínicos para influenza A, incluindo um já na fase dois”, diz Whitehead.

Esses avanços novamente podem chegar no momento certo: Paul Hunter, professor da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e também consultor da OMS, diz que, em alguns países, epidemias de influenza podem causar mais mortes do que a covid-19.

Várias empresas farmacêuticas também estão investindo em vacinas de mRNA como tratamento para o câncer.

“As células cancerosas costumam ter certos marcadores em sua superfície que o resto das células no corpo não têm”, explica Blakney.

“Você pode treinar o sistema imunológico para reconhecer e matar essas células, assim como você pode treinar seu sistema imunológico para reconhecer e matar um vírus. É a mesma ideia, basta descobrir quais proteínas estão na superfície das células tumorais e usá-las como uma vacina.”

A ideia de terapias de mRNA individualizadas para câncer tem sido tentadora há anos, na qual propõe-se que vacinas personalizadas sejam entregues a cada paciente.

A tecnologia usada nas vacinas pode combater certos tipos de câncer — Foto: Getty Images/BBC Brasil

“Um tumor é removido, sequenciado, você observa o que está na superfície e, então, uma vacina é feita especificamente para você”, exemplifica a pesquisadora.

Embora não haja ainda ensaios clínicos testando isso, há quem veja também na tecnologia do mRNA a possibilidade de driblar a resistência aos antibióticos.

“Potencialmente, você poderia imaginar a produção de uma vacina contra um antígeno bacteriano como o C. difficile ou contra alguns (patógenos) que são realmente difíceis de tratar”, diz Blakney.

Também existe a possibilidade de aplicações comerciais de saúde e bem-estar.

Por exemplo, Fu sugere que a intolerância à lactose, que afeta centenas de milhões de pessoas de ascendência asiática — incluindo ele mesmo — e estimadas 68% da população mundial, pode um dia ser o alvo.

“Não tenho a proteína que me permite quebrar a lactose. No futuro, poderíamos desenvolver alguma forma de transmitir uma mensagem, o mRNA, que criará a proteína que quebra a lactose… Não é uma (demanda para algo que) ameaça à vida, mas eu imagino que seria uma indústria multibilionária. ”

No Estado de Ohio, EUA, Dong testou com sucesso o controle do colesterol em ratos.

Pessoas com altos níveis da proteína PCSK9 tendem a ter colesterol alto e desenvolver doenças cardíacas precocemente.

“Percebemos que após um tratamento [em ratos], fomos capazes de reduzir o nível da proteína PCSK9 em mais de 95%. Essa é definitivamente uma direção de pesquisa muito importante”, diz ele.

De acordo com o pesquisador, pelo menos uma empresa de biotecnologia está planejando um ensaio clínico usando mRNA para inibir a PCSK9.

Tudo isso levanta a questão: poderiam as terapias de mRNA nos dar uma imunidade quase sobre-humana?

Céu é o limite?

Vacinas de RNA permitiram a entrega de doses contra a covid-19 em tempo recorde — Foto: Getty Images/BBC

Fato é que as vacinas de mRNA contra a covid-19 levaram algumas pessoas a produzir níveis muito altos de anticorpos, capazes de neutralizar várias variantes do coronavírus de uma só vez.

Também existe a possibilidade futura de misturar várias vacinas de mRNA em uma única dose, o que eventualmente poderia prevenir cânceres e vírus ao mesmo tempo.

Por enquanto, porém, é mais palpável uma vacina combinada contra a covid-19 e gripes, o que vem sendo estudado tanto pela Moderna quanto pela Novavax.

No entanto, antes de ficarmos animados demais, algumas perguntas sobre as vacinas de mRNA permanecem. Uma delas é sobre a duração da imunidade gerada e a necessidade de doses de reforço, que eventualmente podem levar a um acúmulo de reações desagradáveis.

Reações anafiláticas foram observadas em aproximadamente 2 a 5 pessoas por milhão de vacinadas nos Estados Unidos, embora não haja registro de mortes. A taxa de reações foi ligeiramente maior para a vacina Pfizer-BioNTech, de 4,7 por milhão, do que para a vacina da Moderna (2,5 por milhão).

Embora a taxa geral seja baixa, ela é 11 vezes maior do que da vacina contra a gripe.

“Ainda estamos trabalhando para entender quanto tempo dura a resposta dos anticorpos, bem como a resposta celular”, diz Blakney.

“Agora, há boas evidências de que você consegue com as vacinas de mRNA uma resposta das células T de memória realmente boa. Mas como esses ensaios clínicos têm apenas um ano e meio na maioria dos casos, ainda estamos tentando entender quanto dura essa imunidade.”

A pesquisadora aponta que, para a maioria das pessoas, provavelmente não é desejável “tomar várias doses todos os anos que te nocauteiam por alguns três dias.”

No entanto, o laboratório de Blakney na Universidade de British Columbia (UBC), no Canadá, está trabalhando em alternativa: o mRNA autorreplicativo.

Ele tem os mesmos componentes estruturais do mRNA normal, exceto que, uma vez dentro da célula, pode fazer cópias de si mesmo.

“Isso é realmente vantajoso porque permite que você use uma dose muito menor, geralmente cerca de 100 vezes menos do que o mRNA”, explica Blakney.

Isso significa mais retorno sobre o investimento e menos dor no braço.

Independente dos cenários vislumbrados para a tecnologia de mRNA que realmente se concretizarão, já sabemos que esse é um nome para se ter em mente — afinal, ela já permitiu que milhares de doses contra a covid-19 chegassem até nós em tempo recorde e provavelmente continuará trazendo grandes novidades.

Fonte g1.globo.com/ciencia-e-saude/